Calor de 40 graus, céu azul, praias cheias, mulheres bronzeadas. Esse é o verão carioca, conhecido em escala mundial. Mas nem todos que passaram pelas areias desse paraíso tropical têm boas lembranças para guardar: a exposição excessiva e descuidada ao sol pode trazer graves consequências, com marcas difíceis de apagar do corpo e da memória.
Foi o que descobriu a garçonete Renata Martins de Oliveira, de 22 anos, moradora do Morro do Tuiuti, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio. Em novembro do 2002 ela e uma amiga queriam acelerar o bronzeamento. A receita ideal, ouviram dizer, era uma solução contendo água e folha de figo. Renata lembra que ficou o dia todo na praia, passando a poção mágica no corpo.
“Na hora eu não senti nada de diferente. Mas à noite, quando cheguei em casa, já estava com o rosto inchado, não conseguia mais falar e fiquei com quase 40 graus de febre. Fui correndo para o hospital”, conta.
Além da insolação, Renata ficou com queimaduras de segundo grau em praticamente todo o corpo por causa da água com figo. A jovem lembra que seu corpo ficou coberto de bolhas d’água, a pele engrossou, e, depois de alguns dias, o corpo todo começou a descascar. “Me lembro que eu fiquei com um braço queimado e outro branco, porque eu já tinha tirado a pele toda. Foi horrível. Além de ficar toda manchada, fiquei cheia de feridas em carne viva pelo corpo”.
O dermatologista Marcelo Cabral Mollinaro, de 45 anos, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, diz que as jovens estão errando feio e correndo sérios riscos. “Acelerar o bronzeamento não é indicado, em nenhum caso. O raio responsável pelo bronzeamento, o ultravioleta B, é o mesmo responsável pelo câncer, que pode até matar”, afirma.
Tratamento durou meses
A garçonete Renata conta que o tratamento, feito à base de pasta d’água e muito repouso, demorou quase seis meses. As consequências saíram muito mais caras do que o R$1 gasto para comprar o maço com as folhas de figo: durante a maior parte do tratamento, Renata não podia sair de casa durante o dia, pois não suportava ficar com a pele exposta ao sol, e nem podia se vestir, pois as roupas encostavam nas feridas espalhadas pelo corpo e doíam.
“Queria ficar com uma cor bonita e acabei ficando parecida com um monstro. Morria de raiva de mim mesma e de inveja quando via minhas irmãs e amigas indo à praia e eu tendo que ficar em casa”, confessa.
Depois das broncas que levou no hospital e do medo de ficar com câncer de pele, Renata prometeu a si mesma que nunca mais usaria nenhum artifício para melhorar a marquinha do biquíni. Mas foi só as manchas na pele recuperada sumirem e o verão se aproximar para mudar de ideia. Mesmo tendo passado por uma situação tão grave, ela insiste no erro.
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