acervo Fluvia Lacerda
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A diferença está apenas no tamanho do manequim. Fluvia Lacerda, a modelo brasileira plus size mais famosa do mundo, veste 48 e, fora dos padrões de beleza tradicionais, conquistou espaço e hoje ganha a vida como modelo profissional.
A reportagem do Vila Mulher entrevistou Fluvia, que mora em Nova York há mais de 10 anos e tem no exterior seu maior mercado. Ela conta como foi descoberta e fala da relação boa que mantém com o espelho (e com o marido). “Ser gordinha não significa ser feia”
Nunca! Sempre quis trabalhar como tradutora. Comecei como modelo há uns cinco anos. Fui descoberta dentro de um ônibus. Estava atravessando Manhattan quando uma mulher se aproximou e perguntou se eu já havia considerado a idéia de trabalhar como modelo plus size, ou seja, gordinha. Achei que era piada, sempre acreditei que para ser modelo era necessário ser pele e osso. Ela então me deu o seu cartão, era editora de uma revista de moda e me indicou a visitar uma agência de modelos. Visitei a agência, assinei um contrato e, desde então, não parei de trabalhar.
Você sempre foi gordinha? Antes de tirar proveito da forma, sofreu por estar “fora” dos padrões?
Sempre fui a mais cheinha da família, mas nunca senti desejo algum de fazer dietas. Mas tive que lidar com as sugestões indesejáveis de fazer plástica ou dietas malucas e até com comentários de que tenho um rosto lindo, como se não tivesse um corpo. As pessoas tentam impor a “beleza perfeita” e não conseguem entender a idéia de que sou feliz do jeitinho que sou. Mas sou craque em me desligar desses tipos de sugestões.
Mesmo gordinha, você precisa manter a forma, certo? Como faz para cuidar da saúde, do corpo, da pele e cabelo?
Nunca fiz nenhum tipo de tratamento cosmético. Adoro malhar, freqüento a academia e ando de bicicleta, que é meu meio de transporte em Nova York. Estou bem contente com o que Deus me deu.
Eu nunca fiz dieta. Mas não por rebeldia, e sim porque sempre gostei de mim dessa forma. Nunca associei o “ser magra” com “ser bonita”, ou que eu precisaria perder uns quilinhos para poder me curtir, me vestir bem, me amar e cuidar de mim. Por conta disso, nunca fui escrava das dietas. Mas isso não quer dizer que saio comendo tudo o que vejo pela frente. Tenho uma alimentação saudável e adquiri hábitos como andar de bike todos os dias e ir para a academia. Não como frituras ou massas feitas com farinha branca. Consumo alimentos integrais. Não bebo refrigerantes e não como comidas industrializadas. Hoje, me preocupo mais com o conteúdo químico adicionado às comidas do que com a quantidade de calorias que elas oferecem.
Como você monta seu guarda-roupa? É difícil comprar roupas e acessórios para seu número? Muitas marcas ainda privilegiam os corpos magros e altos?
Hoje é muito mais fácil encontrar variedade de estilos para as gordinhas, pelo menos aqui nos Estados Unidos e em alguns países da Europa. São modelos mais jovens, modernos e bem feitos, iguais aos que estão disponíveis para os tamanhos menores. Eu, particularmente, adoro o estilo mais clássico feminino.
Acervo Fluvia Lacerda
É uma benção, afinal, eu, vestindo tamanho 48, tenho a sorte de poder faturar em cima de quem sou, sem precisar morrer de fome. É um sonho não?
Estou vivendo o melhor momento da minha carreira. Além de pertencer ao cast de uma das melhores agências do mundo, estou a caminho de Paris e da Dinamarca para fotografar em campanhas de estilistas renomados. Não tenho muitos planos para o futuro. Procuro curtir ao máximo as oportunidades do presente!
Qual sua relação com o espelho?
Não tenho uma relação com o espelho no sentido de ficar cobrando ver do outro lado uma pessoa perfeita. Eu me curto do jeito que sou. Sou vaidosa e adoro me arrumar. O importante é nos aceitarmos e nos amarmos do jeito que somos. Esse respeito pelo nosso corpo faz com que cada ser humano torne-se lindo.
Como está sua vida amorosa? É fácil ser ‘gordinha’ e arrumar namorado mesmo num mundo que endeusa tanto outro tipo de corpo?
Meu marido me curte e me acha linda! Ele me apóia no que faço porque entende a mensagem por trás do meu trabalho. Ele entende um pouco do sofrimento causado pela pressão absurda que a mídia impõe na mente de muitas mulheres e isso o faz valorizar muito essa auto-estima que eu sempre tive, independente da pressão de fora. Não há ciúmes porque temos um relacionamento maravilhoso e sólido. Temos uma filha de 8 anos.
Aconselho as pessoas a buscarem a forma do corpo que as fará felizes. Afinal, de que vale viver se enganando? Se você não se sente bem acima do peso, então deve encontrar uma forma saudável de reverter esse quadro. Agora, se você se curte sendo mais cheinha e está cansada de perder tempo fazendo dietas malucas e preocupada com quantas calorias pode consumir, então esqueça as dietas e curta a vida. O importante é ser feliz. Mas sempre de forma saudável. Ser gordinha também não quer dizer sair por aí comendo tudo o que vê pela frente sem se preocupar com a saúde. Uma dieta equilibrada, a base de muita verdura, frutas e legumes, e adquirir hábitos saudáveis como praticar atividades físicas diariamente é imprescindível.
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amei,eu ja tinha visto ela na televsao ela é linda e mundo da para todas